AVENTURA INÉDITA

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No domingo, 21 de outubro de 2007, Zé do Pedal, então assessor para o meio ambiente do Distrito LC12 e do Lions Clube de Viçosa MG, realizou uma travessia inédita na história da navegação: Cruzar a Baía da Guanabara em um barco, a pedal, feito com garrafas PET.

O ambientalista voltava assim às águas exatamente 2 anos depois de haver interrompido seu projeto: “Da Liberdade ao Cristo” (uma viagem que começou em março de 2004 aos pés da estátua da Liberdade, na cidade de Nova Iorque, e terminou na cidade mexicana de Dzilan de Bravo, no México depois que o barco, movido a pedal, do ciclista sofreu os embates do furacão Rita).

“A primeira tentativa de cruzar a Baía da Guanabara foi dia 30 de setembro. O evento teve fim após percorrer aproximadamente 400m de sua trajetória. Quando o aventureiro estava contornando o aeroporto de Santos Dumont o eixo que movia o barco se rompeu. Com a ajuda do GEMAR – RIO que desenvolveu o apoio logístico ao evento, o barco foi rebocado até a Marina da Glória”.

O incidente ocorreu no momento em que o ambientalista retornava as águas depois de 2 anos de sua última aventura “Da liberdade ao cristo”, que também teve fim por problemas técnicos.

O barco, construído pelo serralheiro Ademar Soares na cidade de Viçosa, MG, onde o ambientalista mora, foi feito com 240 garrafas de 2 litros (se colocadas em linha reta, seriam quase 1 (um) quilômetro de garrafas) que foram doados por uma empresa dedicada à reciclagem de papeis, metais e plásticos. O resto do material foi conseguido com pequenas doações. O custo do barco foi de mil reais, e o ambientalista contou com o apoio dos empresários viçosenses: Posto do Beto (http://www.postodobeto.com.br), Casa dos Parafusos, Ademar Serralheiro, Célio Grossi e Localiza Rent a Car, além do apoio na assessoria de comunicação de Ana Pereira e Fabrício Menicucci, que fizeram a cobertura fotográfica da inédita travessia.

Apesar do mar agitado na entrada da Marina da Glória e ventos de até 15 quilômetros por hora, Zé do Pedal realizou a travessia, que teve o objetivo de chamar a atenção sobre os efeitos do aquecimento global, principalmente nos paises do Terceiro Mundo, em exatas 2 horas e 57 minutos de navegação.

“A previsão eram ventos de três quilômetros por hora no momento da saída, mas subitamente, às 8:30 da manhã, quando estava tudo preparado para zarpar, fui surpreendido por uma primeira rajada de vento Norte, com uma velocidade de 12 quilômetros por hora. Esperei um pouco e quando era quase 9 da manhã resolvi sair assim mesmo pois a previsão era de que o vento mudaria rapidamente de direção e começaria a vir das montanhas. Apenas sai da rampa de barcos da Marina da Glória senti o peso da maré entrando, e tive que fazer a navegação praticamente encostado nas pedras para evitar a correnteza. Ao chegar à primeira bóia, já fora do abrigo da marinha, o mar estava bastante agitado com ondas de quase 1 metro de altura, o que dificultava bastante a manobrabilidade do barco, devido, principalmente, à falta de aerodinâmica do mesmo. Um suave nevoeiro cobria os principais pontos turísticos do Rio: o Pão de Açúcar e o Cristo redentor. Quando passei pelo ponto onde o barco havia quebrado o eixo no dia 30 de setembro, quando fiz a primeira tentativa, dei uma olhada apreensiva para a peça que havia quebrado, e notei que nada de anormal acontecera até então.

Esta situação me deu um pouco mais de confiança no barco e passei a exigir um pouco mais, acelerando as pedaladas, para sair rápido da parte agitada do mar, e tentar ganhar o canal de navegação. Com um remo emprestado do piloto da lancha de apoio, deixei de usar o leme, e pude dar um melhor direcionamento ao barco. Ao chegar perto da Plataforma P 54, da Petrobrás, o mar ficou mais tranqüilo, e a travessia começou a render, atingindo uma boa velocidade. Quando terminei de passar pela plataforma, direcionei o barco rumo ao forte de Gragoatá, porém, como os motores dos rebocadores da plataforma estavam ligados, a força da água me jogou uns 200 metros para dentro da baía. Com vento e maré em contra, tive uma certa dificuldade para manter o barco na direção exata do forte, sendo praticamente obrigado a colocar a proa do barco rumo à terra, a uns 400 metros da prainha, e depois, com a proteção dos morros, levar o barco até a meta proposta.

Estava tudo quase dando certo quando uma enorme lancha saiu detrás do morro da praia de Icaraí vindo em minha direção. Os tripulantes da lancha do Gmar (Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro), posicionaram-se entre meu barco e a gigantesca barca e acionaram o comandante da mesma para que reduzisse a velocidade. De onde eu me encontrava a barca passou a uns 20 metros… e as ondas começaram de novo.

Passado o susto segui a risca o plano proposto em última hora, e em menos de 30 minutos, eu encostava o Pet Bateau na prainha de Gragoatá, onde fui recepcionado com alegria pelas crianças que estavam ali naquela hora. Era meio dia. “2 horas e 57 minutos depois, o grande desafio de cruzar a Baía da Guanabara, -pedalando umas garrafas pet-, era um outro sonho transformado em realidade”.

Zé do Pedal escolheu a Baía da Guanabara para fazer a travessia por um motivo muito simples: é a Baía mais poluída da Costa brasileira. “Foi uma pena estar navegando na bela Baia da Guanabara olhando as silhuetas das montanhas desenhando uma paisagem mágica da Cidade Maravilhosa, e ao olhar as águas do mar, ver uma quantidade de lixo, e peixes mortos, boiando. As pessoas estão agredindo o meio ambiente de maneira irresponsável, sem medir as conseqüências para a coletividade. Zé do Pedal lembra que as pessoas não levam em conta que essa agressão é contra elas mesmas, pois todo esse lixo vai parar nas praias que elas usam para seu lazer. Gostaria que nossas autoridades, principalmente o Ministro e Secretários Estaduais de Educação (e Meio Ambiente) criassem programas nas escolas onde as crianças aprendessem a ter respeito com a natureza, só assim teremos, em um futuro próximo, adultos com consciência ambiental, que tenham, em seus atos, respeito à natureza”.